sexta-feira, março 23, 2007

Prémio Secil Universidades 2006



Três alunos e um professor da Faculdade de Engenharia do Porto propõem recuperação da Ponte Pênsil.



Uma recuperada e moderna versão da velhinha e desaparecida Ponte Pênsil, que ligava no século XIX as ribeiras de Porto e Gaia, foi um dos projectos vencedores do Prémio Secil Universidades 2006.


É mais um contributo para uma ideia antiga que chegou a ser objectivo da Porto 2001: ligar as duas cidades por uma ponte pedonal, face ao uso cada vez maior da Ponte D. Luís pelos automobilistas.
A ideia inicial partiu de Álvaro Azevedo, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que a desenvolveu com os então alunos finalistas António Pedro Simões da Silva Braga, Hugo Jorge Ribeiro Pinto e Joana Pascoal Teixeira, no âmbito da disciplina Projecto em Estruturas da licenciatura em Engenharia Civil.


Orçada em 2.360 mil euros, a
solução passaria pela construção de uma ponte leve e o mais transparente possível, "para não tapar a obra de arte que é a Ponte D. Luís", explica Álvaro Azevedo. A nova construção, que ficaria a jusante da D. Luís, seria "invisível para quem a observa de longe, mas marcante para quem a atravessa", lê-se no projecto.
A ponte teria interesse histórico, já que apresentaria "bastantes semelhanças" com a Pênsil original, inaugurada em 1843 e demolida após a abertura da D. Luís, em 1886. Mas adequar-se-ia às exigências de construção e segurança actuais, recorrendo a materiais modernos, como fibra de carbono, aço e vidro laminado. Seria mais "leve" e "eficiente".
O pilar de pedra da Pênsil original do lado do Porto, que ainda existe, seria aproveitado, enquanto que do lado gaiense teria que ser construída uma réplica.



Na fundamentação [
PDF] do projecto, refere-se que a "reduzida dimensão dos passeios do tabuleiro inferior da Ponte Luís I", aliada ao "elevado volume de tráfego rodoviário" "torna a travessia pedonal para a outra margem pouco convidativa e mesmo perigosa".
Há, por isso, "uma certa urgência" na "construção de uma passagem pedonal que dinamize o intercâmbio entre as cidades de Porto e Gaia, nomeadamente ao nível dos seus principais pólos de atracção turística". "É muito mau, é horrível para os peões", afirma Álvaro Azevedo.
Nas contas do professor, já houve "quatro ou cinco" projectos para uma ponte pedonal, mas as ideias nunca sairam do papel. Álvaro Azevedo já entregou o projecto às câmaras municipais, mas admite ser "difícil" que desta vez seja diferente, já que as duas autarquias têm "ideias diferentes" relativamente à construção de uma ponte deste tipo.
No ano passado, a Câmara de Gaia mostrou-se a favor da criação de uma ponte para peões, encomendando um projecto ao engenheiro Adão da Fonseca, mas a obra não avançou. O projecto estava orçado em 10,5 milhões de euros, um valor cinco vezes superior ao fixado na proposta vencedora do Prémio Secil Universidades 2006.



in site da UP

Os restantes prémios Secil Universidades foram:


Engenharia Civil 2006

- Museu Oceanográfico no Portinho da Arrábida
João Marcos Lavos/ Romeu Gomes Reguengo
Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa


- Estudo Prévio de um Passadiço sobre o Rio Nabão (Tomar)
Luis Santos Conceição/ Silvia d'Assunção Dias/ Silvio Assis Fernandes/ Pedro Campos Leal
Academia Militar



Arquitectura 2006

- Museu de Escultura de Caxias
Francisco Romão
Universidade Lusíada de Lisboa

- Convento do Salvador em Alfama, Lisboa
Rafael Verhaeghe Marques
Universidade Autónoma de Lisboa

- Hammam*, Évora
Ana Filipa Simões da Silva
Universidade de Évora


“(*) Termo geralmente usado para referir uma tipologia arquitectónica predominante no mundo Islâmico e relativa a salas de banho públicas e privadas. O hammam tem origem na arquitectura Bizantina e constitui um elemento fundamental da cidade Islâmica.”

2 comentários:

HBaptista disse...

Não considero essencial um investimento de 2000 mil euros para uma travessia pedonal entre o Porto e Gaia, principalmente por já existir o tabuleiro inferior da Ponte Luiz I 10 metros ao lado. Mais, não julgo correcta a afirmação que a travessia pedonal existente seja inadequada sob o ponto de vista de segurança ou disponibilidade.

António Aguiar da Costa disse...

Hbaptista, sou da mesma opinião, pelo menos no estado em que economia nacional está.

De qualquer forma o que é mais importante e meritório de reconhecimento é o bom trabalho destes alunos, que estão de parabéns pelo projecto que desenvolveram.