segunda-feira, abril 23, 2007

Ligações à rede eléctrica


Enquanto a temática das ligações à rede para fornecimento de energia não é ainda muito clara, apresentando-se pouco consistente em termos práticos, aqui ficam algumas perguntas e respostas que podem contribuir para divulgar o assunto.


Instalações de ligação à rede - o que são?

São instalações fotovoltáicas ligadas directamente à rede pública de distribuição (REN). Toda a energia produzida é injectada directamente na rede. Podem ser ligadas à rede de Baixa Tensão, se a potência instalada for inferior a 100KWp.

Posso vender à EDP a energia injectada na rede?

Sim. Primeiro deverá obter a licença de Produção em Regime Especial, na Direcção Geral de Geologia e Energia (DGGE). O processo de obtenção desta licença é regulado pelo DL 312/2001.

Posso consumir a energia produzida e vender apenas o excesso?

Pode, mas este sistema de productor/consumidor tem uma remuneração muito baixa (± 0,30 €/KWh). Investimentos na ordem de 30.000,00 € para uma potência de 5 KW nunca são amortizados em menos de 30 anos, contando com os preços de compra no mercado actual.
Deve vender a totalidade da energia produzida. A instalação de consumo mantém-se inalterada. As suas necessidades de consumo devem ser satisfeitas pela rede pública.
Também não existe "acerto" de facturas. Paga a factura de consumo na totalidade e envia uma
factura relativa à energia injectada na rede.

Um condomínio pode ser proprietário de um sistema "grid connected"?
Sim. Os condomínios são entidades com "corpo" jurídico e fiscal.

Por que preço é que a EDP me compra a energia? Durante quanto tempo?
Depois de obtida a licença de produção em Regime Especial, já está em condições d celebrar o contrato com a EDP. O preço de venda à EDP é regulado pelo DL 168/99, com as alterações previstas no DL 339-C/2001 e mais recentemente no DL 33-A/2005.Para instalações até 5KWp, o preço actual do KWh é de ± 0,56 Euro. Este valor é actualizado mensalmente, de acordo com o IPC (no continente, sem habitação). Os contratos têm limitação de 15 anos,
sendo negociados novamente depois deste período.

Qual é o tempo de vida útil de uma instalação "grid connected"?
No mínimo, 20 anos. Este é o valor considerado quando se pretende quantificar a valia económica destes equipamentos. No entanto, é consensual entre os especialistas nesta área que um sistema fotovoltáico "grid connected" poderá durar pelo menos 40 anos. A maioria dos fabricantes de módulos garante o seu funcionamento por, pelo menos, 20 anos.

Que cuidados é preciso ter? E necessária manutenção periódica?
Não são necessários cuidados especiais. O sistema não possui peças móveis, pelo que a manutenção é mínima ou inexistente. O único "trabalho" consiste em fazer a leitura do contador
- no último dia de cada mês - e enviar a factura à EDP.

Em quanto tempo se recupera o investimento inicial?
O preço de referência de uma instalação "grid connected" é de 6 Eur / Wp. Em Portugal pode produzir até 1500KWh / KWp instalado. Em menos de 7 anos terá recuperado o seu dinheiro.

quarta-feira, abril 18, 2007

Casas vão ter certificado de eficiência energética obrigatório

Já a partir de Julho, todos os novos edifícios com mais de 1.000 metros quadrados (m2) só poderão ser licenciados e construídos mediante declaração de conformidade regulamentar com a nova lei de eficiência energética dos edifícios revela o director-geral da Direcção Geral de Geologia e Energia, Miguel Barreto, em entrevista ao Jornal de Negócios.

A partir de 2009, esta exigência vai ser alargada a todas as casas, mesmo as mais antigas, construídas antes da nova legislação. "Quando uma pessoa quiser vender ou arrendar uma casa, vai ter de ter um certificado energético, que vai influenciar o valor do imóvel", explica o responsável, esclarecendo que "quem compra ou arrenda vai passar a saber se é uma casa do tipo A, B, C ou D, ou seja, quanto é que consome de energia, numa lógica semelhante à actual dos frigoríficos e outros equipamentos domésticos".

A nova lei vem substituir os regulamentos em vigor desde 1989, que é considerada pela DGGE como avançada, mas que não era controlada, devido à falta de mecanismos e formas de fiscalização. "Agora tornaram-se os critérios de regulamentação mais exigentes e criou-se um sistema de certificação para determinar se essa casa cumpre ou não os requisitos", precisa.

sexta-feira, abril 13, 2007

Inteligência colectiva no seio da complexidade


Já há muito se diz que a união faz a força. O que não se diz tanto é que esta força pode ser bem maior que a soma das partes.
Esta sinergia reside essencialmente na existência de uma inteligência colectiva, na capacidade de auto-aprendizagem das organizações e de certa forma na teoria evolucionista que deve abranger a organização no seu todo.

Actualmente, com o surgimento da teoria da complexidade, que encara a maior parte das organizações como sistemas complexos que, à semelhança da natureza, são caracterizados por situações imprevisíveis, iterativas, muitas vezes caóticas e sem padrões aparentes e muito dependentes da psicologia das organizações, tem surgido maior preocupação pela análise da complexidade das organizações e pela gestão em complexidade.

Deve realçar-se que é inevitável a consideração do factor social no seio das organizações. Uma qualquer empresa que possua profissionais na sua estrutura não pode ser gerida como uma simples máquina. Esta é, aliás, uma das principais críticas à tão elogiada técnica de gestão lean production, responsável pela produtividade e eficiência do sector automóvel japonês. A elaboração de um sistema de produção tão perfeito em termos de mecanização, automatização e linearidade transformou os intervenientes humanos em peças sem liberdade criativa, social ou emocional, e acima de tudo nas únicas peças da máquina que falham. Uma pesada responsabilidade, a constante tentativa de tentar atingir o desempenho da máquina. Nos últimos anos o Japão tem sentido a fragilidade desta filosofia de gestão através dos inúmeros casos de problemas sociais no seio das empresas.

A tudo isto acrescenta-se o surgimento explosivo das tecnologias da informação, que têm mudado o funcionamento do mundo, transformado a sociedade e a os conceitos de desenvolvimento e evolução. Deve notar-se a este respeito que hoje a gestão do conhecimento, a criatividade e o desempenho organizacional começam a sobressair relativamente às produções massivas e automatizadas. Talvez seja possível arriscar que nos próximos anos esta tendência acentuar-se-á.
Aproveitar ao máximo o conhecimento, a colaboração, a interactividade num contexto de dinamismo e intensidade requer então um sistema menos automático mas mais explosivo, com as suas instabilidades mas atingindo desempenhos colectivos a níveis máximos. A complexidade deste sistemas é evidente. A necessidade de encarar como uma evidência á inevitável.

Ao longo dos anos testemunhamos constantes simplificações em tudo o que apresentava complexidade. Esta forma de encarar os problemas sempre serviu perfeitamente as necessidades de se obterem desempenhos cada vez melhores.
Acho que se pode dizer que hoje em dia a melhoria de desempenho que se pretende atingir apresenta um problema grande: o de eliminar todas as simplificações feitas e encarar a sua complexidade como potencialidade do sistema.

Antonio Aguiar da Costa

quarta-feira, abril 11, 2007

Adobe Acrobat 3D

A 3ª dimensão faz definitivamente parte do presente da informação digital. O desafio agora é introduzir a 4ª dimensão, o tempo, criando-se modelos dinâmicos interactivos cada vez mais próximos da realidade.

Neste contexto a Adobe, empresa criadora do reconhecido formato pdf, introduziu uma interessante inovação que vai de encontro precisamente a esta tendência de globalização da 3ª e 4ª dimensão da informação digital.

A respeito desta inovação a Adobe apresenta um exemplo de aplicação desta inovação
aqui ou aqui.

Para mais informações recomendo a visita ao site da
Adobe Acrobat 3D.

quarta-feira, abril 04, 2007

Imagem solta


Praga - Dancing House (Architect Frank Gehry)

As maiores pontes do Mundo

Quem tiver curiosidade pode ir dar uma espreitadela ao ranking das maiores do Mundo. Clicar aqui.

terça-feira, abril 03, 2007

Portugal gera 4,4 milhões de toneladas de resíduos de construção

Perto de um terço (32 por cento) de todos os resíduos produzidos anualmente nos países da União Europeia (UE) provêm da construção e demolição de imóveis.
A revelação, feita esta segunda-feira pelo ministro do Ambiente e Ordenamento do Território, Francisco Nunes Correia, surgiu durante o lançamento do livro «Ambiente e Construção Saudável», da autoria de Francisco Nunes Correia, que decorreu em Lisboa.
De acordo com o responsável pela pasta do Ambiente, estes 32% de resíduos representam 100 milhões de toneladas por ano, sendo que Portugal produz 4,4 milhões de toneladas
«Podem-se considerar resíduos banais, mas parte desses resíduos ainda hoje são colocados em despejos ilegais», acrescentou o ministro.
«A reciclagem pode reduzir em 10% este valor de resíduos, mas na UE apenas se reciclam 25% face a todo o seu potencial e em Portugal este valor é ainda mais baixo», sublinhou Francisco Nunes Correia.
O ministro defendeu também a importância da componente ambiental em todos os processos de construção de imóveis: «Esta temática não tem tido o destaque que merece. Dá-se relevância aos estudos de impacto ambiental, mas não se aproxima o ambiente no contexto da indústria de construção», reconheceu o ministro do Ambiente.

quarta-feira, março 28, 2007

OTA


Parece que tudo vai ficar como está.
Uma notícia recente refere que "mudar a localização do novo aeroporto obrigaria a renegociar o projecto desde a estaca zero com a Comissão Europeia". Aparentemente a negociação sobre o novo aeroporto, neste momento, não se baseia na razão, mas sim numa "máquina" que já foi posta a funcionar e que parece difícil de parar.


Trinta anos para escolher um aeroporto é muito tempo. Mas talvez seja pouco quando os estudos são feitos entre duas possibilidades pouco unânimes, e quando o critério de exclusão de uma delas (Rio Frio), parece ser exclusivamente ambiental, se bem que com impactos pouco precisos (referia-se como maior impacto o abate de sobreiros, no entanto quando surgem outras possibilidades de implantação que evitam estes abates a questão parece diluir-se "noutros impactos").


Parece-me que o turismo vai perder. Lisboa também. A ambição de criar um hub Ibérico em Portugal, gerará imensas receitas, mas para aqueles que explorarão a OTA (e que na sua maioria não serão empresas públicas). O turismo que um hub representa poderá não ser muito significativo, tendo em conta que o seu objectivo é essencialmente a transferência de passageiros entre rotas aéreas. Então quando a distância desse aeroporto à capital é tão significativa como a da OTA a Lisboa, inibirá certamente aqueles que podem ter curiosidade em dar um "salto" à cidade.


O governo refere que o investimento público vai ser reduzido. Esperemos bem que sim. Mas uma coisa também me parece, o lucro público também se encaminha para ser reduzido, tendo em conta que os privados se preparam para explorar o aeroporto.


Neste momento, e para que depois não seja tarde demais, é importante começar a discutir proposta de investimentos, estratégias de rentabilização, políticas de governança do sistema aeroportuário, para que, como muitas vezes acontece, o ganhos não fiquem nos bolsos de alguns, daqueles que sabem lidar com a "máquina".


Como último alerta gostaria de lembrar que, este grande investimento, que está a ser visto como uma esperança de recuperação para o sector da Engenharia, poderá efectivamente sê-lo, mas se não for bem gerido, sê-lo-á apenas a curto prazo. Digo isto baseado na análise da evolução do sector da Construção desde que a União Europeia tentou ajudar Portugal através dos fundos comunitários. O aproveitamento foi bastante ineficaz, quase funcionou como uma esmola que não conseguiu dinamizar orgânicamente o sector, aumentar a sua produtividade, modernização e competitividade.



Fonte: Groningen Growth and Development Centre, 60-Industry Database, October 2005,
http://www.ggdc.net/



Fonte: Groningen Growth and Development Centre, 60-Industry Database, October 2005, http://www.ggdc.net/


Veja-se no primeiro gráfico que o sector da Construção teve uma evolução significativa ao nível do Valor Acrescentado Bruto desde que Portugal foi um dos países previlegiados no que diz respeito à recepção de fundos comunitários (1991). Esta evoluçaõ positiva deveu-se essencialmente ao investimento em obras públicas.
Em 2001, a abertura da União Europeia a novos países diminuiu o acesso a fundos e a Construção teve uma quebra significativa, que ainda hoje continua a verificar-se. Provou-se, de certa forma, que a evolução precedente foi pouco sustentada e sem estratégia.

Efectivamente a Produtividade desde 1991(ver segundo gráfico) foi pouco alterada, pelo menos no que concerne à discrepância com outros países desenvolvidos. A competitividade não foi estimulada, a qualificação da mão-de-obra não melhorou e o sector manteve-se sempre frágil.

O alerta vai para o futuro, para que este investimento nã OTA não seja mais uma forma fácil de recompor o sector e a economia do País, mas que contribuia para uma melhoria significativa da produtividade, modernização e competitividade internacional da indústria.



António Aguiar da Costa

FiberSensing





Workshop “Sensores Fibra Óptica”


11,12,13 Abril.2007 – LNEC – Lisboa, Portugal
18,19 Abril.2007 – FiberSensing – Maia, Portugal


A FiberSensing irá realizar o primeiro Workshop “Sensores Fibra Óptica”.
Neste evento será realizada uma introdução à tecnologia de funcionamento dos sensores de fibra óptica FBG (Fiber Bragg Grating) e uma demonstração de procedimentos de instalação em aplicações reais de monitorização estrutural (SHM).


Para os interessados mais informações aqui.


sexta-feira, março 23, 2007

Prémio Secil Universidades 2006



Três alunos e um professor da Faculdade de Engenharia do Porto propõem recuperação da Ponte Pênsil.



Uma recuperada e moderna versão da velhinha e desaparecida Ponte Pênsil, que ligava no século XIX as ribeiras de Porto e Gaia, foi um dos projectos vencedores do Prémio Secil Universidades 2006.


É mais um contributo para uma ideia antiga que chegou a ser objectivo da Porto 2001: ligar as duas cidades por uma ponte pedonal, face ao uso cada vez maior da Ponte D. Luís pelos automobilistas.
A ideia inicial partiu de Álvaro Azevedo, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que a desenvolveu com os então alunos finalistas António Pedro Simões da Silva Braga, Hugo Jorge Ribeiro Pinto e Joana Pascoal Teixeira, no âmbito da disciplina Projecto em Estruturas da licenciatura em Engenharia Civil.


Orçada em 2.360 mil euros, a
solução passaria pela construção de uma ponte leve e o mais transparente possível, "para não tapar a obra de arte que é a Ponte D. Luís", explica Álvaro Azevedo. A nova construção, que ficaria a jusante da D. Luís, seria "invisível para quem a observa de longe, mas marcante para quem a atravessa", lê-se no projecto.
A ponte teria interesse histórico, já que apresentaria "bastantes semelhanças" com a Pênsil original, inaugurada em 1843 e demolida após a abertura da D. Luís, em 1886. Mas adequar-se-ia às exigências de construção e segurança actuais, recorrendo a materiais modernos, como fibra de carbono, aço e vidro laminado. Seria mais "leve" e "eficiente".
O pilar de pedra da Pênsil original do lado do Porto, que ainda existe, seria aproveitado, enquanto que do lado gaiense teria que ser construída uma réplica.



Na fundamentação [
PDF] do projecto, refere-se que a "reduzida dimensão dos passeios do tabuleiro inferior da Ponte Luís I", aliada ao "elevado volume de tráfego rodoviário" "torna a travessia pedonal para a outra margem pouco convidativa e mesmo perigosa".
Há, por isso, "uma certa urgência" na "construção de uma passagem pedonal que dinamize o intercâmbio entre as cidades de Porto e Gaia, nomeadamente ao nível dos seus principais pólos de atracção turística". "É muito mau, é horrível para os peões", afirma Álvaro Azevedo.
Nas contas do professor, já houve "quatro ou cinco" projectos para uma ponte pedonal, mas as ideias nunca sairam do papel. Álvaro Azevedo já entregou o projecto às câmaras municipais, mas admite ser "difícil" que desta vez seja diferente, já que as duas autarquias têm "ideias diferentes" relativamente à construção de uma ponte deste tipo.
No ano passado, a Câmara de Gaia mostrou-se a favor da criação de uma ponte para peões, encomendando um projecto ao engenheiro Adão da Fonseca, mas a obra não avançou. O projecto estava orçado em 10,5 milhões de euros, um valor cinco vezes superior ao fixado na proposta vencedora do Prémio Secil Universidades 2006.



in site da UP

Os restantes prémios Secil Universidades foram:


Engenharia Civil 2006

- Museu Oceanográfico no Portinho da Arrábida
João Marcos Lavos/ Romeu Gomes Reguengo
Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa


- Estudo Prévio de um Passadiço sobre o Rio Nabão (Tomar)
Luis Santos Conceição/ Silvia d'Assunção Dias/ Silvio Assis Fernandes/ Pedro Campos Leal
Academia Militar



Arquitectura 2006

- Museu de Escultura de Caxias
Francisco Romão
Universidade Lusíada de Lisboa

- Convento do Salvador em Alfama, Lisboa
Rafael Verhaeghe Marques
Universidade Autónoma de Lisboa

- Hammam*, Évora
Ana Filipa Simões da Silva
Universidade de Évora


“(*) Termo geralmente usado para referir uma tipologia arquitectónica predominante no mundo Islâmico e relativa a salas de banho públicas e privadas. O hammam tem origem na arquitectura Bizantina e constitui um elemento fundamental da cidade Islâmica.”

Pneus reciclados no asfalto reduzem ruído na A8 e CREL

Se na próxima semana circular na A8 entre Tornada e Caldas da Rainha ou na CREL, entre o túnel de Carenque e o Estádio Nacional (na zona de de Lisboa), não se assuste com o piso. É que o asfalto passou a ser de betumes modificados com borracha, obtidos a partir da reciclagem de pneus usados.

Na prática, haverá um menor ruído na circulação, maior segurança na condução - permite reduções nas distâncias de travagem, eleva o nível de drenagem das águas e evita o efeito spray e as fissuras - e um aumento do tempo de vida útil do pavimento, além da reciclagem do mesmo no final da vida útil, que, segundo estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, pode atingir 20 anos.

A inovação está a ser aplicada pela Recipav, empresa detida maioritariamente pelo grupo Águas de Portugal, em parceria com os americanos da Reed Group e os canadianos da KTY, que prevê produzir este ano 8,5 mil toneladas de betume, contra cinco mil em 2006 (+70%).

A redução de ruído é uma das mais-valias do betume com borracha, diz Paulo Fonseca, director-geral da Recipav, pioneira na adição de borracha ao betume. Nos estudos efectuados para o efeito, nos Estados Unidos e em Portugal, o betume com borracha contribui para a redução do ruído de contacto pneu/pavimento entre cinco a seis decibéis. Ou seja, "para se obter uma redução do ruído de circulação de três decibéis teria de se reduzir em 50% o tráfego na Av. da Liberdade, em Lisboa".

Na auto-estrada do Oeste (A8) existe um troço junto ao Bombarral que a concessionária Auto-Estradas do Atlântico já optou por repavimentar em vez de instalar barreiras acústicas, resolvendo assim a denúncia de um morador da zona, que se queixava do barulho provocado pela passagem dos veículos. Esta solução, embora mais cara, tem efeitos em termos ambientais e paisagísticos e evita o recurso a barreiras, que descaracterizam a paisagem.

in Diário de Notícias

segunda-feira, março 19, 2007

Os estudos da OTA

Em Portugal não se costumam discutir assuntos...fazem-se estudos ! Não se fala de quem os fez, nem quais os pressupostos que levaram a determinada decisão.
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Pensarão os responsáveis que, talvez porque os estudos também são um pouco subjectivos, mais vale não os pôr em causa, ainda se descobre algum pressuposto errado! Certamente haverão muitos especialistas que poderiam facilmente "deitar por água abaixo" milhares de euros em estudos.
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Para mim, discutir um assunto é também fazer engenharia. Obviamente que os estudos serão muito importantes e servirão de base para o levantamento de discussões ou futuros aprofundamentos. Mas a verdade é que em Portugal é difícil levar alguma ideia a discussão e para mim é uma fase inevitável do crescimento de uma ideia.
Para mim esta é uma das razões para muitas das ineficiências na produtividade e desorganização em Portugal.
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A este respeito, julgo interessante referir uma das ferramentas que permite auxiliar a discussão de uma ideia, conhecida por técnica de Delphi.
A técnica de Delphi, desenvolvida pela RAND Corporation na década de 60, foi formulada como uma metodologia de previsão, em que um grupo de especialistas chega a um consenso baseando-se em factores decisórios subjectivos, cientificamente não fundamentados. Esta técnica elimina a existência de um debate directo, substituindo-o por uma sequência de questionários individuais, que se desenvolvem ao longo do tempo, aos quais vão sendo adicionadas informações e feedback, resultantes da análise dos questionários precedentes.
Este tipo de técnica pode aplicar-se a inúmeras situações e permite a aproximação a um consenso final. Tendo em conta que não existe confronto directo entre intervenientes, é eliminado o factor relacionado com a presença e personalidade de cada um, que é muitas vezes um factor determinante na decisão final sobre determinado assunto.
Para além disso, sendo um processo iteractivo, em que se vai adicionando à discussão, feedback dos intervenientes ao longo do tempo, possibilita-se que os especialistas pensem melhor nas suas ideias, as reformulem, e, de certa forma, ponderem as ideias lançadas por outros especialistas.
Neste tipo de questionário, para além de não haver confronto directo, deve, idealmente, existir anonimato relativamente às posições de cada um dos especialistas. Desta forma, não existe qualquer possibilidade de influência dos diversos participantes na discussão.
Resta-me referir que, a utilidade desta ferramenta, depende da escolha dos participantes, que obviamente deverão possuir os créditos necessários para a participação na decisão final.
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António Aguiar da Costa

segunda-feira, março 12, 2007

Ano Novo, Vida Nova?

Janeiro de 2007 : Índices de Produção, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas na Construção e Obras Públicas


CONSTRUÇÃO CONTINUA EM QUEDA



A produção no sector da construção e obras públicas, diminuiu 8,1% no trimestre concluído em Janeiro de 2007, quando comparada com a do trimestre homólogo. Este decréscimo da produção representa um agravamento de 0,8 pontos percentuais (p.p.) face à variação observada no trimestre concluído em Dezembro.
O emprego e o volume de trabalho no sector, mantiveram taxas de variação homóloga negativas, que se situaram em -6,3% e -6,9%, respectivamente. As remunerações registaram um crescimento de 0,6%.


Referência: www.ine.pt

quinta-feira, março 08, 2007

A Gestão e as tecnologias da Informação


As tecnologias de informação assumem cada vez mais um papel indispensável no apoio ao desenvolvimento das mais diversas áreas de negócio. A necessidade de implementação de novas tecnologias surge no mercado como uma mais valia necessária para diferenciação e aumento de competitividade.

Os últimos anos têm sido marcados por investimentos alargados em tecnologias de informação e de comunicação, situação que tem colocado alguma pressão na busca pelas melhores soluções.

Ao mesmo tempo, verifica-se que, dada a grande evolução do mercado das novas tecnologias, a oferta é bastante diversificada e, muitas vezes, pouco consistente. Na verdade, nem sempre investir em TIC representa uma efectiva melhoria ao nível da integração, produtividade e organização do negócio.

A experiência tem verificado que a implementação das TIC não pode ser uma acção com uma visão fechada sobre uma empresa, com o único objectivo de automatizar tarefas internas.
Tal como actualmente acontece nas mais diversas áreas de conhecimento torna-se premente a necessidade de integrar distintas áreas de conhecimento quando se planeiam estratégias de negócio. Quando se investe em TIC o que está em causa é exactamente isto, um planeamento de uma estratégia de negócio, e não uma simples automatização de processos.

Em 2004, num estudo feito pela Mckinsey, que envolveu cerca de 100 indústrias espalhadas por França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, verificou-se exactamente que os investimentos em TIC têm pouco impacto na produtividade caso estes não sejam acompanhados por uma aperfeiçoamento da gestão dos processos.


É neste contexto que surge a Arquitectura Orientada a Serviços (SOA), que visa uma sinergia entre as TIC e a gestão dos negócios. Esta arquitectura de sistemas direcciona a empresa e as suas tecnologias para uma óptica de serviços interoperacional e descentralizada, que permite uma comunicação em rede à imagem da rede de gestão. Para além de uma comunicação interna este tipo de arquitectura visa possibilitar um fácil acesso aos serviços por parte de agentes exteriores, o que de certa forma, possibilita uma interligação global da rede de produção.

Com largas implementações de Enterprise Resource Planning (ERP), as empresas deixaram que os sistemas passassem a ditar os rumos dos negócios, em vez de fazer com que eles se ajustassem aos negócios à medida que fosse necessário. Outro exemplo pode ser observado com implementações de Enterprise Application Integration ou Integração de Aplicações de Negócio (EAI), que levaram as empresas a centralizar processos-chave de negócios, em vez de delegar funções e permitir que gerentes de diversos níveis hierárquicos estivessem aptos a lidar com eles.

A SOA parece vir de encontro à necessidade crescente de pensar as TIC de acordo com os modelos de gestão das empresas, e assim, permitir evoluções significativas de desempenho futuro dos processos produtivos e uma rentabilidade evidente dos investimentos em novas tecnologias.

Antonio Aguiar da Costa

segunda-feira, março 05, 2007

Veículos menos poluentes pagam menos imposto


O Conselho de Ministros aprovou uma Proposta de Lei que reformula totalmente a tributação automóvel, com o objectivo de incentivar o uso de energias renováveis e veículos menos poluentes, no âmbito do Programa Nacional para as Alterações Climáticas.

Os quatro impostos (IA, IMV, circulação e camionagem) são abolidos, criando-se o Imposto sobre Veículos e o Imposto Único de Circulação. As principais alterações são: tributação em função da componente ambiental (o peso das emissões de CO2 na base de tributação sobe para 30%, no primeiro ano, e 60%, no segundo); e deslocação de parte da carga fiscal da aquisição do automóvel (menos 10%) para a fase de circulação.

Esta medida surge com bastante naturalidade, dada a urgência de intervir sobre o impacto dos veículos sobre o ambiente, faltando, no entanto, um incentivo para a renovação do parque automóvel, ou seja, para a eliminação dos veículos mais antigos e inevitavelmente mais poluentes e consequente troca por veículos "mais saudáveis".


Veja-se que os carros menos poluentes, utilizam tecnologias bastante modernas, apresentando preços normalmente mais elevados, ou seja, quem tem dificuldades em trocar de carro ou comprar carros com menores impactos sobre o ambiente, estará sujeito a taxas mais elevadas o que dificultará a necessária renovação do parque automóvel.

Acima de tudo esta medida apresenta-se como uma ferramenta de mentalização para as crescentes necessidades de reduzir o impacto sobre o ambiente.

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Antonio Aguiar da Costa


sábado, março 03, 2007

EXPOSIÇÃO INGENUIDADES - Fundação Calouste Gulbenkian

FOTOGRAFIA E ENGENHARIA
Exposições De 09/02/2007 a 29/04/2007 10h00 - 18h00
Galeria de exposições temporárias

Das pirâmides do Egipto e Linhas Nazca à construção da barragem Três Gargantas, a mostra “Ingenuidades – Fotografia e Engenharia 1846-2006” reúne obras-primas fotográficas que captam a vida e evolução das engenharias, de 1846 a 2006. A exposição é “uma homenagem à liberdade e génio criativo dos cientistas e engenheiros”, diz o curador Jorge Calado, professor de Química-Física do Instituto Superior Técnico. “INGenuidades” abre a 9 de Fevereiro e estará patente até 29 de Abril, na galeria de exposições temporárias da sede.
Pela objectiva dos 160 artistas representados, de cerca de 30 nacionalidades, passaram as grandes obras de engenharia passadas e recentes, na sua dialéctica com as forças da natureza. São mais de 340 imagens, organizadas segundo os quatro elementos (Terra, Água, Ar e Fogo) e distribuídas em sete secções, que percorrem o mundo e as maravilhas da engenharia, o seu nascimento, evolução e morte. Em paralelo, revê-se a história da própria fotografia, nas suas práticas, técnicas e usos.
“INGenuidades” é um trabalho de âmbito internacional, juntando obras de coleccionadores privados, galerias e museus, de Sydney a Berlim passando por São Francisco e Reiqjavique. Integra também peças de fotógrafos portugueses como António Júlio Duarte, José Manuel Rodrigues, Paulo Catrica e Paulo Nozolino. Em Outubro, a mostra viajará até ao Palais des Beaux-Arts, em Bruxelas, coincidindo com a presidência portuguesa da União Europeia.
Entrada: 3 euros (Domingos entradas gratuitas)

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Virtualização da realidade
















Nos últimos anos temos assistido a uma verdadeira revolução ao nível da representação virtual e tridimensional da informação. A contribuição para esta nova sensibilidade de representação foi iniciada pelo fenómeno "Google Earth", que mostrou ser possível a globalização de uma ferramenta de virtualização do real. Esta tornou-se uma das ferramentas mais utilizadas em todo o mundo e uma das que, ao mesmo tempo, se prevê que evolua de forma mais intensa. Um dos próximos passos será a representação tridimensional da cobertura terrestre, que começa já a desenvolver-se para algumas cidades através da modelação 3D dos seus edifícios e infra-estruturas.
É certo que a direcção de desenvolvimento futuro terá como base o conceito de virtualização e representação 3D, no entanto a estratégia de desenvolvimentos futuros não está ainda bem delineada. Desenvolvem-se
cidades 3D , definem-se serviços que fornecem informação suportada pelo Google Earth (localização de imóveis, restaurantes, hoteis) e fazem-se representações virtuais de monumentos e de outros interesses turísticos, no entanto, a consistência destes desenvolvimentos e a visão que os integra não está ainda bem definida. (Poderíamos perguntar, para quê uma cidade 3D? Ou para quê a modelação tridimensional do património de um país?)


Em Portugal existem algumas empresas que pretendem desenvolver o conceito de virtualização da realidade:
A empresa 3Dcities, que se apresenta como criadora de cidades digitais, no entanto, apresenta no seu site uma área de acção é bastante abrangente, como que insinuando uma busca activa pelas sinergias do futuro.

A empresa Caixa D'imagens, que se assume como uma empresa de criação de sistemas virtuais, modelação tridimensional, computação gráfica, design e quiosques virtuais. Um dos seus principais projectos foi a colaboração no desenvolvimento do sistema de Realidade Virtual da Serra da Estrela, projecto que contou ainda com a participação da empresa SIQuant (coordenação geral, produção do Sistema de Informação Geográfica e apoio ao desenvolvimento da aplicação de realidade virtual), do INESC-ID/DIGraSys (programação da aplicação de navegação e visualização de realidade virtual) e do IST/DECivil (desenvolvimento da aplicação de consulta da informação geográfica com base no Google Earth).

A empresa SIQuant, uma empresa de sistemas de informação e de informação geográfica que nasceu do meio universitário, integra as competências e a abordagem técnica de dois grupos de investigação e desenvolvimento. Do ICIST (Instituto de Engenharia de Estruturas, Território e Construção do Instituto Superior Técnico) integra o conhecimento em técnicas de aquisição de informação geográfica e de modelação geográfica. E do INESC ID a competência de análise/concepção e desenvolvimento de sistemas de informação complexos.




Efectivamente existem variadas competências em Portugal ao nível da modelação tridimensional, realidade virtual, computação gráfica, simulação, sistemas de informação geográfica e novas tecnologias. Todas estas competências procuram uma sinergia que se transforme em conceitos inovadores. Todas elas procuram um objectivo e um suporte de desenvolvimento.
Parece-me que, por vezes, e por serem conteúdos bastante recentes, não existe uma estratégia de desenvolvimento de ferramentas, não existe uma ligação à sociedade, podendo correr-se o perigo de este tipo de tecnologias se banalizar ou transformar em simples ferramentas de entretenimento.
Assim, julgo que é indispensável a fusão de conhecimentos entre os diversos sectores da sociedade no sentido de transformar estas ferramentas bastante potentes em ferramentas rentáveis e indispensáveis para o dia de amanhã. As equipas de desenvolvimentos destes conceitos devem conter não só os especialistas em modelação, computação gráfica,novas tecnologias e sistemas de informação geográfica, mas também engenheiros civis, de transportes, electrotécnicos, arquitectos, enfim uma série de competências que contribuam para que os especialistas criem ferramentas com valor que, consequentemente, se transformem nas ferramentas do futuro.

António Aguiar da Costa

sábado, fevereiro 24, 2007

Se fosse Ministro do ambiente...

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O semanário Expresso propôs um desafio interessante para esta semana:
"Se fosse Ministro do Ambiente, que três medidas tomava para reduzir as emissões de CO2 em Portugal?"
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Este desafio poderá significar uma forma de interiorização das preocupações ambientais e poderá ainda valer uma entrada para a conferência de Al Gore, no centro de congressos do Estoril.
Serão premiadas as dez melhores respostas (enviar para: ambiente@expresso.pt)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Obras públicas vão ter preço máximo para evitar derrapagens


Ao abrigo do novo Código da Contratação Pública, os concursos para obras públicas terão de fixar o preço máximo a pagar pelos trabalhos, só podendo ser aceites propostas de valor inferior. Também não serão aceites trabalhos a mais e haverá apenas uma pequena margem para imprevistos. O objectivo é acabar com as derrapagens financeiras nas obras públicas. Em entrevista à «Vida Económica», o presidente do Instituto dos Mercados de Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário (IMOPPI), Hipólito Ponce Leão, faz também o balanço das últimas acções inspectivas. (Jornal Vida Económica 23/02/2007)

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Serviços com Urgência!

O governo Português, principalmente através do seu ministro da saúde Correia de Campos, tem levado a cabo uma série de intervenções estratégicas ao nível da distribuição dos serviços de urgência em Portugal.
Verifica-se que este mesmo serviço tem sido eliminado de algumas localidades, com apresentação de argumentos que apoiam a proximidade de outros serviços do mesmo tipo, e que assim, a qualidade do serviço final pode ser melhorada, tendo em conta que existe a mesma verba para um menor número de serviços disponibilizados.

O que é evidente para todos nós, no âmbito de uma sociedade democrática moderna, é o óbvio descontentamento das populações que ficam sem os serviços que sempre se habituaram a ter junto de si. As hesitações do ministro têm sido a prova das dificuldades de implementação uma medida deste género.
A evidência desta situação leva-me a pensar que o que falta em tudo isto é a visão do governo sobre uma sociedade cada vez mais exigente e informada que, como tal, deve ser considerada como um agente interveniente na decisão e por isso um agente com quem se deve negociar.

Ou seja, como em qualquer decisão entre diversas partes interessadas, deveria haver uma sensibilidade negocial, em que, neste caso, a população que perdia o serviço teria uma outra contrapartida que, a curto prazo tornaria todo o processo mais simples.
No seguimento deste pensamento, encaminharia o a ideia para o conceito de serviço de saúde em rede, desenvolvido na América e reconhecido como o Mayo Health System. Este conceito tem obtido resultados bastante positivos, tendo sido premiado com variados prémios de Qualidade e baseia-se na existência de uma rede de centros de saúde, clínicas e hospitais, integrada e inter-relacionada, e com localização dispersa em rede.

Talvez o que falta em Portugal seja deixar de pensar em remendos e arriscar numa distribuição estratégica de vários serviços, com infra-estruturas renovadas, e que se suportem num conceito de rede regional e desenvolvam a necessidade de inter-relação e inter-comunicação total.
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António Aguiar da Costa

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Bastonário da Ordem dos Engenheiros contesta OTA e TGV

O bastonário da Ordem dos Engenheiros considera que os projectos do novo aeroporto, na Ota, e do TGV deviam ser repensados.
Entrevistado no domingo no programa "Diga Lá, Excelência", da Renascença, “Público” e Dois, Fernando Santo questionou as opções tomadas pelo Governo e defendeu que ainda há tempo para travar os dois mega-projectos.
No caso da Ota, o bastonário denuncia os elevados custos, devido à localização escolhida e interroga-se sobre o facto de terem sido apontadas apenas duas opções.“Quando aparece como praticamente única solução, ou a dicotomia Rio Frio e Ota, eu não estou convencido, como não deve estar a maioria dos engenheiros”, porque a fundamentação apresentada “é política”.“Eu julgo que pode haver outras soluções e o Governo tem a responsabilidade de encontrar outras alternativas”, defende, considerando, porém, que o “ministro das Obras Públicas terá esse bom senso”.
Na mesma entrevista, Fernando Santo critica também a estratégia decidida para o projecto do comboio de alta velocidade. Em seu entender, reforçar a posição central de Madrid não é a melhor opção, mas sim “criar uma linha de penetração nas ligações norte-sul”.Dentro de Portugal, o bastonário coloca a seguinte questão: “Gastámos tantos milhões na modernização da Linha do Norte, porque é que vamos fazer um TGV entre Lisboa e Porto, poupando meia hora ou uma hora, quando com um bocadinho mais de esforço poderíamos optimizar os investimentos que fizemos no actual comboio?”.
in RR
Notícia completa e acesso a ficheiros áudio em:

domingo, fevereiro 18, 2007

O papel da Engenharia no sector da Saúde


Segundo a Comissão para a sustentabilidade do Financiamento do Serviço Nacional de Saúde, o sector da Saúde em Portugal tem vindo a ser um dos protagonistas da despesa pública, representando já mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

Gráfico representativo de alguns valores das Despesas em saúde em 2003 (em % do GDP)[i]

A par deste valor excessivo da despesa com a saúde, verificam-se desequilíbrios ao nível organizacional, sendo um dos mais evidentes a incapacidade da estrutura do Serviço Nacional de Saúde para atender devidamente os doentes crónicos, que se estimam como sendo já quase um quarto da população total. O peso que os doentes crónicos têm nas urgências hospitalares é uma prova da falta de capacidade dos serviços para gerirem o tratamento destes pacientes, visto que apenas respondem de uma forma não contínua.
Num estudo realizado em 2004 no Hospital S. Francisco Xavier demonstrou-se que 72% dos doentes que recorrem à urgência por ano (1.792 pessoas) são admitidos por agudização de doenças crónicas.
É ainda de referir que em Portugal tem-se verificado um uso abusivo dos serviços de emergência, no sentido em que muitos dos pacientes que recorrem a este serviço deveriam ser tratados nas unidades de cuidados primários
[ii].

A incapacidade de garantir a continuidade de cuidados da organização actual é uma fonte relevante de desperdício. As redes de cuidados continuados e de proximidade assumem-se como uma possível alternativa. A sustentabilidade do SNS depende da capacidade de transferir recursos do sector hospitalar para outros níveis de cuidados.

Ao nível da orgânica interna, os Hospitais têm tentado optimizar os seus processos, numa tentativa de diminuição de custos e optimização de produção. Alguns dos exemplos que se podem referir são os melhoramentos ao nível dos sistemas de informação e novas tecnologias e também a modernização das técnicas de gestão aplicadas à logística hospitalar (Hospital Logistics System), originalmente provenientes da indústria automóvel e agora adaptados ao serviço de saúde.
Ao nível das infra-estruturas o sistema não tem no entanto sofrido alterações significativas, verificando-se melhoramentos essencialmente ao nível do equipamento técnico, sem grandes consequências para a optimização dos serviços.
A construção de infra-estruturas hospitalares inteligentes, modernas e adequadas às novas mentalidades, deve ser uma das estratégias do futuro do sistema de saúde, visando a busca de uma mentalidade voltada para o paciente e sensibilizada para a necessidade de controlo do fluxo dos doentes e da informação.
No que diz respeito à modernização e renovação das infra-estruturas deve referir-se que o surgimento das Parcerias Público-Privado veio possibilitar uma maior dinâmica do mercado, estando previstos 10 novos hospitais, cujo consórcio privado deverá ter responsabilidades ao nível da concepção, projecto, construção e manutenção da infra-estrutura (30 anos) e ao nível dos serviços clínicos(10 anos)
[iii]. Esta nova possibilidade será com certeza uma mais valia para a reforma necessária do sistema de saúde.

[i] World Health Organization, “World Health Statistics 2006”
[ii] Oliveira, Monica; 2002 “A flow demand model to predict hospital utilisation”, LSE Health and Social Care
[iii] Monteiro, Pedro Líbano; Vaz, Artur; “Uma parceria a 30 anos no âmbito do programa de parcerias público-privado na saúde”, 8º Congresso Nacional da Manutenção (Novembro de 2005)

António Aguiar da Costa

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Para quem quer saber mais acerca de FMEA

Já alguma coisa foi aqui sendo dita sobre algumas técnicas de análise de projectos, nomeadamente da técnica Failure Mode Effects Analysis (FMEA).
Neste post anexa-se um documento que pretende desenvolver o conceito FMEA sob um ponto de vista mais prático, na perspectiva da sua aplicação.
Anexo:

sábado, fevereiro 03, 2007

O que foi sendo dito em Janeiro...

A visita do Presidente da República à Índia ajudou a «abrir portas» aos portugueses, como a participação na construção do novo aeroporto de Goa, mas os negócios estão longe de serem «fechados» pelos empresários que acompanharam Cavaco Silva.(2007-01-15 Diário Digital)
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Os custos de construção nova aumentaram em Novembro, no Continente, perante tendência contrária nos custos de manutenção e reparação da habitação, segundo indica o instituto de estatística (INE). (2007-01-15 Diário Digital)
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O sector da engenharia deverá ter crescido, em Portugal, pouco mais de 1%, em 2006, o que terá resultado numa facturação total das empresas portuguesas de engenharia civil na ordem dos 1.280 milhões de euros. (2007-01-17 DiarioEconomico.com)
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Arquitectos com autoria exclusiva de projectos a partir de 2012.
O Governo aprovou uma proposta de revisão do regime sobre a qualificação exigível em obras, prevendo que, após um período de transição de cinco anos, a elaboração de projectos de arquitectura seja apenas da responsabilidade de arquitectos.(2007-01-18 Público)
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A actividade do sector da construção nos países da Zona Euro aumentou 1,2 por cento, em Novembro de 2006, em comparação com o mês anterior, segundo os dados publicados esta quinta-feira no Instituto de Estatística Comunitário (Eurostat).(2007-01-18 Agência Financeira)
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A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, considerou fundamental a revisão do acordo de empresa do Metropolitano de Lisboa para garantir a sua sustentabilidade social e financeira enquanto serviço público. (2007-01-19 DiarioEconomico.com)
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A empresa portuguesa de engenharia Coba assinou um contrato, avaliado em dois milhões de euros, com as autoridades argelinas para a concepção do 23º projecto de uma barragem no país, a de Beni-Slimane. (2007-01-22 DiarioEconomico.com)
A maré alta fez cair mais um bar na praia norte, numa altura em que o Instituto da Água (INAG) tem em curso mais uma intervenção de emergência. (2007-01-22 RR)
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A falta de técnicos qualificados está a dificultar a aplicação do regulamento que visa classificar o desempenho energético dos edifícios, num modelo semelhante ao que é usado actualmente nos electrodomésticos, denunciou a Quercus. (2007-01-25 DiarioEconomico.com )
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Observatório das Estradas diz que 50 por cento dos acidentes acontecem devido ao traçado das estradas. BT investigou sinistros e apurou que apenas em 6 por cento dos casos a culpa é das vias. (2007/01/26 Portugal Diário)

terça-feira, janeiro 30, 2007

A importância das TIC para o Planeamento Urbano

Contribuição para o SmartEngineering de Sílvia Magalhães, Engenheira Civil e colaboradora da DST


Foram, na passada quarta-feira, dia 25 de Janeiro, apresentadas em Seminário no LNEC as conclusões de um estudo encomendado pela Direcção Geral Ordenamento Território e Desenvolvimento Urbano (DGOTDU), a um grupo de estudos da Universidade de Aveiro sobre Tecnologias de Informação e Comunicação e o Ordenamento do Território.

Como refere Vitor Campos, Director Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano, “as TIC moldam e estruturam o território, estabelecendo vantagens comparativas entre territórios, em função não apenas do acesso às suas infra-estruturas físicas, mas também do acesso aos serviços que as suportam e aos serviços que nelas são suportados. Há uma tendência para o surgimento de novas economias de aglomeração determinadas pelas TIC, que (…) parecem contrariar a noção geral que aponta para uma maior flexibilidade nas opções de localização das actividades, por via da maior facilidade de comunicação e acesso à informação.” [1]
Neste âmbito, as TIC apresentam um potencial acrescido sobretudo ao nível da democratização na participação dos vários agentes, públicos e privados, envolvidos nos processos de planeamento urbano e na elaboração de Instrumentos de Base Territorial, por facilitarem a sistematização e rapidez nas consultas e discussões públicas necessárias aos mesmos processos. A sua utilização terá forte impacto sobretudo na próxima geração de PDM’s (embora 65% ainda se encontrem em fase de revisão), sendo crucial envolver desde já os municípios, de modo a considerarem a importância das TIC, não só nas neste tipo de acções de estratégia e desenvolvimento, como na própria gestão quotidiana dos seus territórios.
Foram identificadas outras potencialidades das TIC no âmbito do Ordenamento do Território nomeadamente, a melhoria da coesão social pela igualdade de oportunidades geradas pelo território (regulação do uso) e a criação de economias de aglomeração (desenvolvimento económico e social). A gestão das diferentes escalas (local, regional e nacional), é também de extrema complexidade, onde os volumes de informação são enormes, “distantes” e dispersos, problema que pode ser fortemente reduzido com a criação de redes de informação e partilha de conteúdos bem estruturadas.
O momento actual é também determinante pois avizinham-se importantes decisões ao nível do Planeamento Urbano. Em primeiro lugar, o novo enquadramento para o apoio estrutural comunitário no horizonte 2013 (QREN 2007-2013), em segundo, a concretização de alguns Instrumentos de Gestão Territorial, na medida em que o PNPOT será aprovado pelo Governo a curto prazo e os PROT estão em fase de elaboração, passando a abranger todo o território nacional a partir do final de 2007, além da actual fase de revisão dos PDM’s.



[1] Mais informações em
http://www.dgotdu.pt/TIC%2DOT/