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terça-feira, outubro 31, 2006

O Projecto Beddington Zero Energy Development (BedZED)

Contribuição para o SmartEngineering de Horácio Luís Baptista, Projectista na IDOM e admnistrador do site ForumEnergia.eu

Quando se fala em eficiência e sustentabilidade na construção, o projectoBedZED (acrónimo de Beddington Zero Energy Development) tem que ser mencionado. Este projecto-protótipo localizado em Beddington, Inglaterra,foca e utiliza os aspectos mais eficientes do projecto e construção de moradias, chegando por vezes a aproximar-se vertiginosamente de áreas como a ficção científica. Foi projectado e construido entre 2000 e 2002.O projecto é do arquitecto britânico Bill Dunster e teve a sua génese na procura de uma forma mais eficiente de construir moradias em áreas urbanas. Bill Dunster e a sua equipa muniram-se das técnicas e dos materiais mais modernos e eficientes e produziram as 82 moradias, os 17 apartamentos e os 1400m2 de área comercial que constituem BedZED.


Factos:


- Foram instalados 777m2 de paineis solares e uma central de cogeração para fornecimento de calor e de electricidade. BedZED é energeticamente independente do exterior.
- As habitações estão orientadas a Sul e possuem isolamento térmico de elevada eficiência.

- A maior parte da água das chuvas é recolhida e reutilizada no local.

-Os materiais foram seleccionados de forma a estarem disponíveis num raio de 60km do local de construção, minimizando desta forma o impacto com o seu transporte.

- Os locais de estacionamento são limitados, mas os residentes partilham os automóveis.

- As necessidades de aquecimento são em cerca de 90% inferiores à média britânica. A utilização de água também é cerca de 40% inferior à média britânica.

- A energia utilizada diariamente por cada habitante (3kWh) é cerca de 25%inferior à média britânica e 11% dessa energia é mesmo produzida nos paineisf otovoltaicos instalados.

O caminho para a sustentabilidade é ainda longo, mas projectos desta tipologia, embora protótipos, mostram que a eficiência é possível e benéfica para a estratégia de desenvolvimento sustentável da população mundial. Este projecto nasceu em Inglaterra mas podia claramente ter nascido em Portugal,e creio que a aposta no (re)conhecimento e na formação de técnicos no nosso país será factor de decisão para que a construção evolua de forma a ser possível habitarmos todos nós casas que consumam menos recursos.

sábado, setembro 30, 2006

Repensar as Classificações

Olhando de forma objectiva para o que se passa com a certificação energética dos electrodomésticos, verifica-se que há um problema intrínseco à modalidade de classificação que pode tornar o critério inviável no futuro. Veja-se que a eficiência varia entre as classes A (mais eficiente) e G (menos eficiente), sendo que para alguns aparelhos, como os frigoríficos, existem já classes A+ e A++.
(mais informações consultar http://www.ecocasa.org/index2.php )

Podemos imaginar, que as evoluções pretendidas ao nível de eficiência não devem possuir um limite superior rígido, pois idealmente essa eficiência deve ser sempre crescente, ainda para mais quando estamos a tratar de assuntos cujos conhecimentos estão em constante desenvolvimento.
Caso contrário, tal como está a acontecer com o exemplo referido, caímos no ridículo de obter classificações A+, A++, A+++, A++++, por aí adiante, que têm um impacto falível, menos evidente e pouco racional.

Assim, nesta fase inicial de implementação do Sistema de Certificação Energética de Edifícios, devem ponderar-se algumas considerações relevantes quanto a possíveis classificações a utilizar:
- Caso se pretenda identificar o desempenho energético de um edifício, ou de alguns dos seus componentes, à semelhança do que é feito para os aparelhos eléctricos, a classificação utilizada não deverá possuir um limite superior fixo;
- Tendo em consideração que a sociedade tem aumentado os seus níveis de formação, deve ponderar-se a utilização de um critério que tenha algum significado prático e pedagógico, no sentido em que a percepção do seu significado pode contribuir para a divulgação do conceito. Ou seja, se possível, deve utilizar-se um factor numérico, obtido a partir de considerações intrínsecas ao conceito de eficiência, em detrimento de uma classe, que não possui informação por si só.